Bolsonaros põem ‘bode na sala’ toda vez que o fogo chega perto

Cercado de seguranças, Bolsonaro acena para populares em Ceilândia (DF), foto Antonio Cruz/ABR

É uma tática manjada. O que impressiona é que tem dado certo no governo de Jair Bolsonaro (PSL ainda). Toda vez que uma grave crise (real), tenta cercá-lo, o presidente, ou um de seus filhos, inventa uma outra (artificial) para abafar a anterior. Além de manjada, a estratégia é conhecida como “colocar o bode na sala”.

É uma metáfora antiga e seria mais ou menos como a seguir. Conta a lenda que o marido estava sendo cobrado pela mulher para trocar móveis, geladeira, as cortinas, enfim, gastar e investir na casa. Sem condições de atender, o que faz o marido? Comprou um bode e o levou pra dentro de casa para espanto da mulher.

O espanto e a indignação dela vão crescendo à medida que o bode vai aprontando dentro da casa, quebrando e sujando tudo. Chega a um ponto em que a mulher, no auge do estresse, reage: olha, marido, tira esse bode daqui. Se ele não sair, eu saio. Pronto, o marido tira o bode e a mulher se sente atendida e fortalecida. A paz possível volta ao lar sem as pressões e cobranças anteriores.

Lenda antiga usada na política

É uma história velha e machista, que foi transplantada com êxito para a política. Quer ver? Vamos pela ordem dos fatos apenas deste semana. No dia 27 passado, o jornal O Globo divulgou os áudios do ex-assessor Fabrício Queiroz revelando o modus operandi do negócio da ‘rachadinha’. Esse é o nome do rendoso esquema de contratar assessores e cobrar mesada deles por isso.

Depois, a fatura é rachada entre os autores e patrocinadores do esquema. Queiroz movimentou R$ 7 milhões em três anos (noticiário de 20 de janeiro deste ano dos principais jornais e outros veículos). Onde ele atuava? Trabalhou nos gabinetes dos filhos do presidente Bolsonaro, o último foi Flávio, ex-deputado estadual do Rio, até dezembro passado; hoje, é senador.

As hienas do presidente

Ato contínuo, o que fez o presidente? Um dia depois, no dia 28, postou vídeo criticando partidos, imprensa e o Supremo Tribunal Federal (STF), comparando-os hienas contra ele (leão conservador). No dia seguinte, virou manchetes de jornais e motivo de notas de repúdio e em defesa do estado de direito. Após a forte reação, Bolsonaro pediu desculpas e disse, “humildemente”, que erra de vez em quando. Caso fica encerrado e o Queiroz desapareceu de novo.

Entre várias críticas, a do ministro Marco Aurélio Mello, do STF, foi a mais assertiva. Afirmou, no dia 29, que o vídeo pode ser encarado como uma “cortina de fumaça” para desviar o foco das revelações dos áudios do ex-assessor. “Eu tenho que nada surge sem uma causa. Qual seria a causa? Qual é o descontentamento com o Supremo? (…) Agora, é uma coincidência muito grande que esse foco surja justamente numa hora em que aparece essas coisas envolvendo o assessor Queiroz”, afirmou à Rádio CBN.

Mais um defensor da ditadura e suas armas

Ainda no dia 29, o Jornal Nacional, da TV Globo, divulgou o depoimento de porteiro fazendo ligações perigosas e diretas dos Bolsonaros com o matador da vereadora Marielle Franco (PSOL). No dia 30, é divulgada entrevista do Bolsonaro mais novo defendendo a reedição do AI-5, o golpe mais violento e arbitrário usado pela ditadura militar brasileira no final de 1968. Mais violento vírgula, porque não há violência maior do que a própria ditadura. Um regime fechado, com prisões, torturas, desaparecimentos, exílios e mortes de quem pensa diferente.

Simultaneamente, saem manchetes na maioria dos jornais refletindo a perplexidade e a indignação pelas declarações. Junto delas, veio o “singelo” pedido de desculpas pelo mau jeito e molecagem. O caso Marielle acabou caindo para segundo plano.

Mirem o exemplo do Chile

O que pensam os Bolsonaros não é segredo para ninguém, mas somente as vivandeiras da crise ficam salientes para sonhar em fechar o Congresso e o STF. Que o Chile seja exemplo para esquerda, como forma de reagir, e à direita, para entender que não haverá retrocesso ignóbil. Democracia, volver!

Após defender novo AI-5, Eduardo Bolsonaro exibe vídeo do pai elogiando torturador!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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RômuloJ. Vieira

Articulista medonho.sem nexo!!…Porque o Pres. Bolsonaro precisaria colocar bode na sala,responda pseudo jornalista.Desde que ele ultrapassou o Ciro Gomes nas pesquisas a imprensa 80% esquerdopata (admita aí?) não para de lhe encher o saco com picuinhas,já joguei meu voto no lixo votando no Lula,tá cedo para articulistas como você ,dá um tempo!!!

Veni Vidi Vici

Orion, acontecerá um dado momento que essa tática não dará mais certo.
Não terá êxito.
Eu penso até que o fator que derrubará essa famiglia será de característica bem simples…

Kleber Lacerda

Raciocínio delirante deste artigo. Orion destila ódio gerado por seu esquerdismo fracassado. Nenhum argumento lógico, como é comum nos textos dos vermelhos, que quando perdem eleição partem para agressão e sabotagem.

João Roberto Vargas

Esse tal de Orion Ferreira é repórter ou escritor de ficção?

Claudio Habib

Ridículo, medonho e pobre este artigo. A mediocridade da esquerda que só sabe roubar e enganar os de pouca inteligência. Não tem argumentos lógicos. Qual seria seu argumento para o assassinato do Prefeito Celso Daniel a mando de LULA? E para as delações de Palocci sobre o roubo bilionário do PT ao povo brasileiro? Gosta de ser roubado? Defender bandidos?