Dino “puxa orelha” de Bolsonaro e pede moderação no debate ambiental

Flávio Dino - Governador do Maranhão

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), declaradamente de oposição ao governo federal, deu um “puxão de orelha” no presidente Bolsonaro na manhã de hoje, na reunião de governadores da Amazônia Legal, em Brasília.

“O extremismo não é o meio mais adequado nessa temática do meio ambiente”, disse Dino, que criticou também a postura do presidente em relação às ONGs. Na semana passada, o presidente insinuou que os incêndios florestais na região da Amazônia poderiam estar sendo provocados por ONGs, por terem perdido recursos para implementar seus projetos na região.

“Não podemos demonizar as ONGs. É preciso separar o joio do trigo”, disse o governador, fazendo também referência a uma passagem bíblica, que Bolsonaro costuma citar com frequência em suas falas. De acordo com Mateus 13:24-30 durante o Juízo Final os anjos vão separar os “filhos do maligno” (o joio), dos “filhos do reino” (o trigo).

Crise de imagem

Flávio Dino também pediu moderação ao presidente e afirmou que não será com uma postura reativa que o Brasil vai superar a crise de imagem que enfrenta hoje mundo afora, por conta do crescimento dos incêndios na Amazônia. “Quando você solta uma faísca, ela pode se transformar num grande incêndio”, afirmou o governador, em referência às declarações polêmicas do presidente sobre a questão ambiental.

Ao contrário do que vem pregando Bolsonaro, que recusou cerca de R$ 80 milhões oferecidos pelo G7 (grupo dos sete países mais ricos do mundo) para combater os incêndios florestais, o governador do Maranhão disse que o Brasil não pode prescindir da ajuda e cooperação de outros países. “Dialogar com outros países é imprescindível”, disse, alertando para o risco de o Brasil vir a sofrer sanções comerciais por conta da destruição do meio ambiente.

Soberania

De acordo com o governador maranhense, a soberania do Brasil sobre a Amazônia é inquestionável e que as balizas para a discussão em torno da legislação ambiental estão muito bem delineadas pela Constituição, no seu artigo 255. “Não é preciso rasgar a Constituição”, assinalou.

Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

Ambientalistas de todo o mundo e lideranças internacionais, que consideram a Amazônia uma área estratégica para o equilíbrio do clima no mundo, têm dito que as falas do presidente e de sua equipe têm estimulado a destruição do meio ambiente, inclusive as queimadas na região da floresta tropical.

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“Governadores de Paraíba”

O presidente Jair Bolsonaro já havia deixado seu descontentamento com a atuação do governador do Maranhão. No dia 19 de junho, pouco antes de conceder uma entrevista para jornalistas estrangeiros, o presidente disse ao ministro Onix Lorenzoni: “Desses governadores de paraíba, o pior é o do Maranhão. Não tem que ter nada para esse cara”. O áudio foi captado pela TV Brasil, emissora oficial do governo federal, e acabou se espalhando.

Em resposta, na ocasião, o governador maranhense disse que a fala do presidente “foi a prova de que existe um insano no comando do país”.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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