Folha reage a Bolsonaro em editorial sob título ‘Fantasia do imperador’

Edição da Folha deste sábado e o presidente Jair Bolsonaro, em foto de Antonio Cruz/Agência Brasil

Dois dias após ser excluída da licitação da Presidência da República, de assinaturas de jornais, a Folha de S. Paulo reagiu com editorial crítico. Sob o título ‘Fantasia de imperador’, neste sábado (30), a direção do jornal diz que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) “combina leviandade e autoritarismo”.

Em sua cruzada contra a imprensa, em especial à Folha, Bolsonaro determinou o cancelamento de assinaturas desse jornal no dia 31 de outubro. Antes tentou, mais foi barrado, extinguir publicação de balanços na imprensa, autorizando a prática só no meio eletrônico.

Para especialistas em direito constitucional, o veto presidencial fere o princípio de impessoalidade da administração pública e a Constituição.

“Presidente tem de ser contido”

De acordo com editorial do jornal paulista, Bolsonaro terá de ser contido pelas instituições da República e pelo sistema de freios e contrapesos. E mais que o Palácio do Planalto não é uma extensão da casa na Barra da Tijuca que o presidente mantém no Rio de Janeiro.

“Nem os seus vizinhos na praça dos Três Poderes são os daquele condomínio. A sua caneta não pode tudo. Ela não impede que seus filhos sejam investigados por deslavada confusão entre o que é público e o que é privado. Não transforma o filho, arauto da ditadura, em embaixador nos Estados Unidos”, apontou. “O império dos sentidos não preside a vida republicana”.

Jornal acusa abuso de poder político

Assinala ainda que a Constituição afirma que a legalidade, a impessoalidade e a moralidade governam a administração pública. “A Carta equivale a uma ordem do general à sua tropa. Quem não cumpre deve ser punido. Descumpri-la é, por exemplo, afastar o fiscal que lhe aplicou uma multa. Retaliar a imprensa crítica por meio de medidas provisórias”. Bolsonaro, além disso, sugeriu boicote contra anunciantes do jornal. “Isso escancara abuso de poder político”.

“Prestes a completar cem anos, este jornal tem de lidar, mais uma vez, com um presidente fantasiado de imperador. Encara a tarefa com um misto de lamento e otimismo. Lamento pelo amesquinhamento dos valores da República que esse ocupante circunstancial da Presidência patrocina. Otimismo pela convicção de que o futuro do Brasil é maior do que a figura que neste momento o governa”, conclui o artigo do jornal.

Bolsonaro faz defesa da democracia

Em resposta, e no mesmo dia, o presidente Bolsonaro fez a defesa da democracia e da liberdade. Ele participou da cerimônia de declaração de aspirantes a oficial na Aman (Academia Militar das Agulhas Negras), em Resende (RJ). No seu discurso, ele acenou para os militares dos países da América do Sul, a quem chamou de “países irmãos”.

“Nós não descansaremos enquanto todos os países irmãos não respirarem democracia e liberdade. Também, países irmãos, que os nossos povos não se deixem persuadir ou iludir pela facilidade, a democracia e a liberdade são o nosso oxigênio”, disse.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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