“Fora, Bolsonaro!”, do PT, se alinha ao general Mourão

  • por | publicado: 24/04/2020 - 16:41

O vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, está de mero espectador dessa tormenta política sobre a família Bolsonaro, o presidente e filhos - Foto: Divulgação/Planalto

O presidente Jair Bolsonaro, no bunker do terceiro andar do Planalto, em ambiente da caserna, assistiu (milhões de brasileiros também) à explanação de saída do, ainda, ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. Quando ex-juiz federal e, já ministro declarado demissionário (iria encaminhar o pedido), encerrou 40 minutos de fala, gritos “Fora, Bolsonaro!” foram ouvidos. Portanto, uma reação favorável.

Se, por acaso, um “Fora, Bolsonaro!” atingir objetivos dos protagonistas, derrubada do presidente, a Constituição Federal assegura a faixa ao vice. No caso, o general Hamilton Mourão. A exemplo de generais que largaram o pelotão do Planalto, o vice diverge em muito do presidente. Tinha, por exemplo, pontos de alinhamento com Luiz Henrique Mandetta, demitido semana passada do Ministério da Saúde. O general avalia os filhos do presidente.

Avestruz do 1º do Maio

Os próximos passos de Bolsonaro não serão, portanto, fáceis.

De cara, por exemplo, cruzarão pelo 1º de Maio (Dia do Trabalho), daqui a uma semana. E, desta vez, com provável retorno do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (e condenado e preso por Sérgio Moro, quando juiz). O PT articula um discurso nacional do petista de forte apelo ao “Fora, Bolsonaro!”.

Mas o chefe do Planalto, portanto, deve lamentar a campanha que fez contra o sucesso do isolamento social. A quarentena foi a principal bandeira de Mandetta na contenção à pandemia do novo coronavírus (Covid-19). Então, para não ouvir gritos desagradáveis só lhe resta imitar avestruz.

Estatais apanham na Bolsa

Ao final dos 40 minutos das explicações de Moro, a Bolsa de Valores (B3 – Brasil, Bolsa, Balcão) exibiu queda de 8%. Era, então, a desaprovação dos investidores às pressões que resultaram em sua saída.

Dentro do Índice Bovespa (Ibovespa), indicador mais expressivo da Bolsa, as 63 companhias abertas tinham índices negativos. Mas, naquele momento, o estrago maior era para as principais estatais da União: Petrobras (10%), Banco do Brasil (9%) e Eletrobras 14%.

Por sua vez, o dólar, que sempre faz o caminho inverso do mercado acionário, chegou a subir 2,5%, para R$ 5,73.

Vez do Bolsonaro

Porém, se, pela manhã, às 11h, o país parou para Moro, daqui a pouco, por voltas das 17h, terá outra opção: Bolsonaro. O presidente recebeu referências de práticas nada “republicanas”. Na pauta do Planalto, consta: restabelecer a verdade”.

As panelas, portanto, foram reposicionadas nas varandas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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