Quem não vacina a própria filha tem condições de cuidar de um país?

  • por | publicado: 25/06/2022 - 15:37 | atualizado: 28/06/2022 - 13:42

No colo da mãe, criança é vacinada em Santa Luzia (Grande BH), foto Cristiano Machado/ImprensaMG

A pergunta acima foi feita, com muita propriedade, pelo Comitê Popular de Combate à Covid, em BH. Na avaliação dos seus membros, é incompreensível não se vacinar por, entre outras razões, temor de possível efeito colateral. “O silêncio tóxico estatal em relação à importância da vacinação só pode ser compreendido pela imbecilidade de um presidente que se recusa a vacinar e sonega vacinação até a sua própria filha”. Essa foi a tônica do boletim divulgado na sexta (24) ao constatar que morrer por covid em BH é 1.450 vezes maior que reações adversas a qualquer uma das vacinas.

Crime por omissão

O silêncio é tóxico, segundo o comitê. Como diz o ditado popular, quem cala consente, portanto, a informação precisa ser direta, clara, compreensível e sem fantasias. Até agora, já vimos de tudo nessa pandemia, desde governantes sonegando informações, negando a ciência e distorcendo a realidade de forma torpe e grosseira, advertiu.

“Assim, não informar a população dos riscos, divulgar informações falsas ou sonegar informações que levam as pessoas a se exporem e colocarem as suas vidas e a de terceiros em risco, é crime por omissão”, sentenciou. Neste sentido, essa edição chama atenção para um tema crucial: – os riscos da doença Covid-19 versus os riscos da vacinação.

Desde sempre negligenciada pelo governo federal e objeto de campanha difamatória pelo atual presidente da República, as vacinas mudaram o rumo da pandemia. “Além de reduzirem a trágica mortalidade em nosso país e no mundo, praticamente afastaram os riscos de colapso do sistema de saúde. Mas, assim como as demais vacinas, as atuais contra a Covid-19 acabaram por dar à população a falsa percepção de que a pandemia estava resolvida. “Na esteira do sucesso da vacinação, governantes ‘cloroquinadores’ e até hoje complacentes com a prescrição de medicamentos sem eficácia por médicos no próprio serviço público”.

Fake News contra vacinas

Apressaram a retirar as medidas de barreira. Diante de variantes virais cada vez mais transmissíveis e distantes da cepa original que iniciou essa pandemia, o resultado tem sido as sucessivas ondas de novos casos que estamos vivendo.

Na toxicidade do silêncio surgem as Fake News palacianas atribuindo às vacinas “terríveis efeitos colaterais” desses “fármacos experimentais”. É comum o fato de algumas pessoas não quererem se vacinar contra Covid-19, com receio de eventos adversos.

A última edição do boletim compara o alto risco de óbito por Covid-19 em Belo Horizonte em 2022 versus o risco muito baixo de evento adverso após vacinação. As vacinas têm risco? “Sim, assim como qualquer outro fármaco. Entretanto, enquanto os efeitos adversos pós-vacina ocorrem a uma taxa de 1 a 158 casos por milhão de doses. E sua maioria são leves/moderados, com menos de 10 casos por milhão de pessoas vacinadas (vide tabela abaixo). Já o risco de morrer por causa da Covid-19 é de, no mínimo, 380 óbitos por milhão em pessoas entre 12 a 39 anos. Sobe para 970 óbitos por milhão de casos em crianças de 0 a 11 anos e mais de 20.000 mortes por milhão de casos, em indivíduos acima de 65 anos de idade. Mesmo com a redução da letalidade global por Covid-19 em 2021 e 2022, a letalidade em BH passou de 2,3% (2020- 2021) para 0,7% em 2022, uma redução global de 72% (veja os gráficos abaixo).

Portanto, é incompreensível não se vacinar por temor de possível efeito colateral. O silêncio tóxico estatal em relação à importância da vacinação só pode ser compreendido pela imbecilidade de um presidente que se recusa a vacinar e sonega vacinação até à sua própria filha. Cabe uma pergunta: quem não protege e não cuida da própria filha tem condições de cuidar de um país?! A catástrofe pandêmica que vivemos tem dono e “DNA”. E nosso papel é, juntos, nos contrapormos à barbárie, proteger as pessoas, incentivar a vacinação e valorizar cada vez mais o SUS.

LEIA AQUI A ÍNTEGRA DO BOLETIM

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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