Ataque hacker à Saúde puxa o bode; livro de Moro bomba

  • por | publicado: 10/12/2021 - 16:57 | atualizado: 11/12/2021 - 22:40

Ministro Queiroga, da Saúde, e o presidente Bolsonaro tiram partido do ataque. Suspenderam a exigência de comprovação de vacinação contra Covid a partir de amanhã (11/12) - Foto: Fábio Pozzebom/ Agência Brasil

Fato desta sexta (10/12) dia: hacker ataca dados armazenados nos computadores do Ministério da Saúde. A reação imediata do Governo Bolsonaro: foi suspender exigência de comprovante de vacinação contra Covid-19 aos viajantes que chegam. Essa exigência começaria amanhã (11/12), contrariando Jair Bolsonaro, que proibiu o “passaporte vacinal” dos viajantes do exterior, pois, a ausência, implicaria em impedimento do desembarque.

O presidente da República, lamentável, é negacionista, usa o cargo nessa campana e desgasta imagem do país no exterior.

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Até o meio da tarde, o Governo não foi claro (e convincente nas informações) se houve perdas e/ou danos nos bancos de dados, principalmente referentes à pandemia. O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, simplesmente responde um “sim”, ao ser indagado sobre existência de backup (cópia de segurança).

E desse imbróglio, com cheiro de mais um engodo político, emerge, então, saber se o sistema das redes digitais do Ministério são submetidas a periódicos testes de proteção contra a pirataria da Internet. A exemplo daquilo que faz (e renova) o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para assegurar eleições sem fraudes.

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Chegar ao hacker é pouco

Fato é que esse “ataque” aos computadores do Ministério não se resume à constatação de provável fragilidade em importante rede de Governo. Há, portanto, enredos políticos, e, na maioria, para desconfianças diretas aos precedentes do núcleo direto (formal) e informal (gabinete paralelo) do Palácio do Planalto.

Diante do histórico de assédios políticos, o ministério atacado deveria, então, ser o mais protegido na Esplanada, de Brasília. A área da saúde gera bilhões de reais (sem limites) em ordens de pagamentos nas ações de contenção da Covid-19. Por conseguinte atrai legiões de desonestos.

Mesmo que, novamente contrariado, Bolsonaro deveria, ao menos, se dirigir ao país. Isso, mesmo que fosse apenas para se posicionar distante, pelo viés ideológico, com a origem desse crime. Portanto, vender imagem, ainda que falsa, de chefe de Governo preocupado.

Mas, seja qual for a postura do Governo daqui para frente, será difícil expulsar esse bode dos corredores do Planalto.

Exército pode ajudar com o ComDCiber

Então, há uma infinidade de dúvidas e perguntas nos cantos do país contra o Governo Bolsonaro.

O ComDCiber fica em Brasília – Crédito: Divulgação

Mas, além de Bolsonaro e Queiroga, entes de Estado (não de Governo) equipados TIC (tecnologia de informação e comunicação) de ponta também ficarão mal na foto, caso não ajudem a rastrear de onde partiu ação contra o Ministério de Saúde. O Comando do Exército, por exemplo, tem seu Comando de Defesa Cibernética (ComDCiber). Esse comando funciona dentro do Centro de Instrução de Guerra Eletrônica (CIGE).

Livro de Moro no topo

Entretanto, enquanto Queiroga, mordido pela ideia de pré-candidato ao Senado, zomba da população, fica fértil o terreno de potenciais adversários de Bolsonaro. O livro Contra o sistema de corrupção, de Sérgio Moro (ex-juiz federal e ex-ministro Justiça), por exemplo, subiu ao topo. Aparece 1º lugar na Lista Não Ficção. Leia AQUI a notícia, desta sexta (10/12), do site PublishNews.

Moro é pré-candidato ao Planalto e aparece em 3º lugar nas pesquisas de intenção de voto.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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