Direita já sonha com chapa presidencial com os ministros Mandetta e Sérgio Moro

Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (dir.) se fortalece politicamente por seu desempenho no combate ao coronavírus, mas desagrada o chefe Bolsonaro.

Bolsonaro e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta: difícil diálogo, foto Sérgio Lima

A dupla sertaneja Jorge e Mateus decidiu fazer uma live ontem (4-04) à noite no Youtube para ajudar seus fãs a enfrentar as dificuldades da quarentena e conseguiu atingir a marca de 3 milhões de visualizações simultâneas, que é recorde na plataforma. E vejam quem foi uma das estrelas da atração: o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

“O show não pode parar, mas a aglutinação tem que parar”, disse o ministro, repetindo uma pregação que vem fazendo nos últimos dias a favor do isolamento social, como medida para evitar a propagação muito rápida pelo país do coronavírus, que deixou o mundo de ponta cabeça.

A participação do ministro da Saúde no show da dupla, uma das mais famosas do país, dá a dimensão da projeção que ele, até então um político de pouca expressão do Mato Grosso do Sul, ganhou nos últimos tempos, para desgosto, e até desespero, do seu chefe, o presidente Jair Bolsonaro.

Se um ministro mais popular que o presidente já incomodava (Sérgio Moro), dois, então, passa a ser inaceitável. Mas a popularidade de Mandetta, como mostrou pesquisa Datafolha, é duas vezes maior do que a de Bolsonaro.

Aprovação recorde

De acordo com o levantamento, o desempenho do ministro no combate ao coronavírus é aprovado por 76% dos entrevistados (apenas 5% avaliam como ruim). Já a atuação do presidente em relação à pandemia é avaliada como ruim e péssimo por 39% dos entrevistados, contra 33% que avaliam como ótimo/bom.

Mandetta está pela bola sete e só não foi demitido ainda porque o presidente Bolsonaro, enfraquecido e isolado, poderia ter problemas ainda maiores para enfrentar o que pode ser a pior crise do Brasil ao longo de sua história. Seja qual for o seu destino à frente da pasta, o ministro ganhou uma projeção que, provavelmente, jamais imaginou que alcançaria.

Permanecendo ou não na pasta, seu cacife político aumentou de forma vertiginosa: já é candidatíssimo a governador do Mato Grosso do Sul pelo seu partido, o DEM, chance que um mês atrás ele não tinha. Mas as lideranças nacionais da sua legenda sonham com voos mais altos: pensam na formação de uma chapa para disputar a presidência da República em 2022 formada por Mandetta e Sérgio Moro.

Para relembrar: o mesmo Datafolha, em pesquisa do final do ano passado, mostrou que 53% dos entrevistados avaliavam o desempenho de Sérgio Moro como ótimo e bom.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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