Após reunião com Bolsonaro, Zema anuncia recuo em ações contra pandemia

Zema teve agenda intensa em Brasília, na última quinta, foto Pedro Gontijo/Imprensa/MG

Na próxima semana, o governador Romeu Zema (Novo) irá apresentar protocolo para os prefeitos que queiram a liberação de medidas de isolamento social. Elas foram adotadas durante o início da pandemia do novo coronavírus. Onde e quando ele fez esse anúncio? Em Brasília e após encontro com o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes. Foi mais um alinhamento de Zema a Bolsonaro a quem foi pedir ajuda financeira.

Tentou também vender para o presidente os créditos do nióbio pela Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig). Antes, tentou negociá-lo na bolsa de valores, mas os investimentos foram paralisados com a pandemia do coronavírus. Com a venda do nióbio, o governador pretendia pagar o 13º salário ainda atrasado. Seriam R$ 5 bilhões. Zema admitiu, há 30 dias, que a operação poderá render menos em razão da crise mundial provocada pelo coronavírus.

Risco é muito grande ainda

Ainda que o governador diga que adotará os devidos cuidados, com uso de máscaras, uso de vários equipamentos, limite de pessoas por metro quadrado, o recuo é muito arriscado. Hoje, cerca de 150 municípios mineiros já fizeram algum tipo de liberação por decisão dos prefeitos. O Estado tem, de acordo com a última atualização do Ministério da Saúde, no dia 8, mais de 600 casos confirmados e 17 mortes pela doença e investiga outras 100.

Zema é o único governador do Sudeste que ainda está alinhado a Bolsonaro, que é contra o isolamento social e fechamento do comércio como medida de combate ao Covid-19. Ele foi um dos três governadores que não assinaram, no fim de março, uma carta pedindo apoio ao presidente e reafirmando as medidas adotadas.

Presidente pressiona, mas STF libera

Na noite de quarta (8), em pronunciamento, Bolsonaro responsabilizou governadores e prefeitos pelas medidas que restringem a circulação de pessoas no combate à pandemia.

Já o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), assegurou a autonomia dos governos estaduais, distrital e municipal na adoção das medidas. Iniciativas que vão desde a imposição de distanciamento social, suspensão de atividades de ensino a restrições de comércio, entre outras.

Para o ministro, as autoridades devem atuar sempre com o absoluto respeito aos mecanismos constitucionais de equilíbrio institucional. E mais, em favor da manutenção da harmonia e independência entre os poderes, “evitando-se o exacerbamento de quaisquer personalismos prejudiciais à condução das políticas públicas”. Como lá em Brasília, por aqui o Governo de Minas e a Prefeitura de Belo Horizonte não se entendem e vivem se bicando.

Em Minas, 700 municípios na calamidade

Em Minas, mais de 700 municípios adotaram medidas contra a contaminação e decretaram estado de calamidade. No Brasil todo, são cerca de 2 mil, de acordo com pesquisa feita pela Confederação Nacional de municípios (CNM). Mas há municípios mineiros que estão pensando em mudar a partir de segunda (13).

E a Associação Mineira dos Municípios (AMM) articulou ação judicial para garantir aos municípios o investimento em comunicação institucional educativa na pandemia. O entrave é que 2020 é ano eleitoral. A iniciativa foi do presidente da entidade, vice-presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM) e prefeito de Moema, Julvan Lacerda.

Segundo ele, para que o combate ao coronavírus seja efetivo, os prefeitos precisam promover campanhas educativas de conscientização via meios de comunicação. Ou até mesmo por meio de carros de som na rua, alertando a população sobre as medidas de prevenção à COVID-19, entre outros alertas.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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